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Estilo Manuelino


Este artigo é baseado no documento de Estilo Manuelino da Wikipedia, a enciclopédia aberta no âmbito da licença GNU de documentação livre. No site da Wikipedia está disponível uma lista de autores.

A fotografia "Janela Tomar" à direita/esquerda foi tirada pela Christiane Abele. Demonstra os elementos típicos do estilo deste período.

Estilo Manuelino

O Estilo manuelino, por vezes também chamado de gótico português tardio ou flamejante, é um estilo arquitectónico que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I

O Estilo manuelino, por vezes também chamado de gótico português tardio ou flamejante, é um estilo arquitectónico que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte luso-mourisca ou mudéjar, marcado por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio. Incorporou, mais tarde, ornamentações do Renascimento Italiano. O termo "Manuelino" foi criado por Francisco Adolfo Varnhagen na sua Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842.

O Estilo desenvolveu-se numa época propícia da economia portuguesa e deixou marcas em todo o território nacional.
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Tomar: Convento de Cristo

Características principais

Esta tendência artística era conhecida, na época, como a variante portuguesa da arquitectura ad modum Yspaniae (ao modo hispânico) que, por sua vez, estava incluída na corrente arquitectónica "ao moderno" - expressão utilizada para o Gótico tardio onde também havia a variante, por exemplo, do modo tudesco ou alemão na então nova arquitectura nórdica. Esta corrente opunha-se à arquitectura ao modo antigo ou ao romano. O estilo manuelino tem a sua fase de maior amadurecimento a partir da segunda década de reinado de D. Manuel. Os escultores e arquitectos de Portugal definiram, neste contexto, um estilo de uma originalidade vigorosa que ainda hoje causa espanto entre todo o património artístico português.

Os motivos ornamentais que caracterizam esta tendência são de uma riqueza impressionante e, ao contrário do que se tornou vulgar dizer, não é caracterizada apenas pelos motivos marítimos, inspirados na Era das Descobertas, mas por um conjunto de símbolos de ordem diversa onde, eventualmente, se encontram elementos do género. A ideia de que os motivos ornamentais se ligavam ao mar deve-se a Edgar Quinet, em 1857, e tornou-se um lugar comum.
No que diz respeito à arquitectura propriamente dita, o estilo Manuelino não mascara a estrutura dos edifícios ao mantê-los livres de ornamentação desnecessária: as paredes exteriores ou interiores são geralmente nuas, concentrando-se a decoração em determinados elementos estruturais, como janelas, portais, arcos de triunfo, tectos, abóbadas, pilares e colunas, arcos, nervuras (ogivas, liernes e terceletes), frisos, cornijas, platibandas (como nos Jerónimos) óculos e contrafortes, além de túmulos, fontes, cruzeiros, etc.

Apesar de ser essencialmente ornamental, o Manuelino caracteriza-se também pela aplicação de determinadas fórmulas técnicas da altura, como as abóbadas com nervuras polinervadas a partir de mísulas.

Principais autores

No Norte de Portugal, os principais autores deste estilo, provenientes da Galiza ou de Biscaia, foram Tomé de Tolosa, Francisco Fial e Pêro Galego, que participaram na criação da Igreja Matriz de Caminha, bem como João de Vargas e João de Parmenes, que trabalharam juntamente com o português João Lopes na Sé de Lamego. O cantábrico João de Castilho, responsável pela Galilé e pela capela-mor da Sé de Braga, também deixou a sua marca no Mosteiro dos Jerónimos, onde avulta a figura de Diogo Boitaca, criador do Mosteiro de Jesus de Setúbal. Além de Boitaca, o centro de Portugal conta também com a obra notável de Mateus Fernandes, bem representada no portal das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha.

Fala-se ainda de um "Manuelino de segunda geração", após o recrudescimento económico em Portugal, em consequência das Descobertas. Castilho, Boitaca e os irmãos Francisco e Diogo de Arruda, que desenharam a Torre de Belém, são os seus principais representantes.

Há ainda a referir os nomes de Manuel Pires, João Favacho, Pêro e Filipe Rodrigues, Álvaro Rodrigues, André Pires, João Dias, Diogo Pires, o Moço, entre outros.

Motivos ornamentais

A característica dominante do Manuelino é a exuberância de formas e uma forte interpretação naturalista-simbólica de temas originais, eruditos ou tradicionais. O conjunto decorativo de um elemento escultórico manuelino apresenta-se quase sempre como um discurso de pedra, onde diversos elementos e referências se cruzam (pansemiose - ou "todos os significados"), como o cabalismo cristão, a alquimia, a tradição popular, etc. O contexto tanto pode ser moralizante, como alegórico, jocoso (quando se aponta o dedo aos defeitos humanos ou a pormenores obscenos, como na referência ao sexo oral, numa gárgula exterior à capela de São Nicolau, em Guimarães), esotérico ou, simplesmente, propagandístico em relação ao poder imperial de D. Manuel I. Note-se que esta simbologia está também muito ligada à heráldica.

Os motivos mais importantes da arquitectura manuelina são:
· Símbolos nacionais
· Elementos naturalistas
· Elementos fantásticos
· Simbolismo cristão
· Outros motivos: as cordas entrelaçadas e cabos, redes, cinturões com grandes fivelas, meias esferas, pináculos cónicos com cogulhos de formas diversas, colunas torsas, correntes, ...

Obras principais

Entre as obras mais notáveis do manuelino, temos a referir:
No Norte de Portugal, onde está presente desde o início do século XVI e onde são características dominantes a decoração ao estilo "flamejante" e as Igrejas divididas em três naves. Os autores eram, geralmente, de origem espanhola (galegos,[Cantabria|cántabros] e biscainhos): o A Igreja Matriz de Vila do Conde
o A Igreja Matriz de Caminha
o Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta
o Mosteiro de Leça do Balio (pia baptismal)
o Pelourinho de Arcos de Valdevez

No Centro de Portugal:
o O Convento de Cristo, onde sobressai a magnífica janela do Capítulo
o O Mosteiro dos Jerónimos
o Determinadas partes do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (ou da Batalha)
o A Igreja Matriz da Golegão o A Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; (túmulos, igreja, claustro)
o O Convento de Jesus em Setúbal
o A sala dos Brasões no Paço Real de Sintra
o A Torre de Belém
o O arco triunfal da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, em Caldas da Rainha
o Sé Nova de Coimbra, (pia baptismal)

No Sul:
o Igreja Matriz de Monchique, num das mais características variantes locais do estilo.
o Igreja Matriz de Odiáxere, bem característica do chamado Manuelino de Lagos.
o Igreja da Misericórdia de Loulé
 

 
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